Mercado de energia solar no Brasil: cadeia, importações e posição global

O Brasil terminou 2025 entre os seis países com maior capacidade solar fotovoltaica instalada do mundo. Ao mesmo tempo, sua cadeia de equipamentos continua fortemente dependente do exterior: estudo publicado pelo BNDES informa que a participação dos módulos nacionais no mercado brasileiro caiu para 1% em 2024 e que quase a totalidade dos módulos era importada.

Essa combinação — mercado grande, expansão rápida e baixa oferta doméstica — ajuda a explicar por que o país atrai fabricantes, distribuidores, investidores e fornecedores internacionais. Também mostra por que a importação de módulos, inversores e tecnologias associadas ocupa uma posição estratégica no avanço da fonte solar.

Neste artigo, reunimos dados da EPE, IRENA, IEA, BNDES, MDIC e Banco do Nordeste para explicar o tamanho do mercado brasileiro, a cadeia produtiva fotovoltaica, a liderança da China e a posição do Brasil no cenário mundial.

O mercado solar brasileiro em números

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a capacidade solar fotovoltaica brasileira chegou a 64.793 MW em 2025, considerando geração centralizada e micro e minigeração distribuída (MMGD). O avanço foi de 33,7% sobre o ano anterior. A geração solar alcançou 88,1 TWh, crescimento de 24,7%.

Outro dado ajuda a dimensionar a capilaridade do mercado: dos 64.793 MW de capacidade solar, 44.742 MW estavam na MMGD. Isso equivale a aproximadamente 69% da capacidade solar do país, cálculo feito a partir dos números publicados pela própria EPE.

No conjunto de todas as fontes, o Brasil encerrou 2025 com 261 GW de capacidade de geração elétrica. A solar representava 24,8% desse total, atrás apenas da hidráulica, que respondia por 40%. Capacidade instalada, porém, não é o mesmo que energia efetivamente gerada: solar e eólica, somadas, participaram com 26,4% da geração de eletricidade em 2025.

Por que o Brasil é tão visado pela indústria solar global?

Os dados permitem apontar quatro razões objetivas:

  1. Escala: o Brasil já é o sexto maior mercado do mundo em capacidade fotovoltaica acumulada.
  2. Expansão: a capacidade solar nacional cresceu 33,7% em 2025.
  3. Mercado distribuído: cerca de 69% da capacidade solar estava na micro e minigeração distribuída, o que sustenta demanda capilar por módulos, inversores e serviços.
  4. Espaço deixado pela indústria local: o BNDES registrou participação de apenas 1% para módulos nacionais em 2024.

A conclusão de que o Brasil é um mercado atraente para fornecedores internacionais é uma inferência sustentada por esses indicadores: há demanda relevante e crescente, enquanto a oferta doméstica de módulos cobre uma parcela pequena do mercado.

Qual é o papel da importação na expansão solar brasileira?

A indústria brasileira participa de diferentes elos, especialmente em estruturas, cabos, equipamentos elétricos, engenharia, integração, instalação, operação e manutenção. Nos módulos fotovoltaicos, porém, o país depende fortemente do fornecimento externo.

O BNDES informou que quase a totalidade dos módulos era importada e que os produtos nacionais representaram apenas 1% do mercado em 2024. No segmento de inversores, o MDIC também identifica uma oferta apoiada sobretudo em fabricantes globais, embora existam empresas com produção local.

A importação permite acessar escala produtiva, variedade tecnológica e capacidade de fornecimento que ainda não estão disponíveis internamente na mesma proporção. Por outro lado, amplia a exposição da operação a fatores como prazo de fabricação, frete internacional, câmbio, política comercial, classificação fiscal e concentração de fornecedores.

Por isso, a análise não deve se limitar ao preço unitário do equipamento. O custo e a segurança do projeto dependem do conjunto da operação: especificação técnica, origem dos componentes, conformidade, transporte, tributos, garantia e suporte pós-venda.

Por que a China é o principal centro fornecedor?

O dado mais atual da IEA é direto: a China respondia por cerca de 85% da capacidade produtiva global da cadeia solar em 2024. No caso dos wafers, a participação chegava a 95%.

Essa liderança não se resume à montagem final de painéis. Ela envolve escala e integração entre várias etapas, de materiais processados a células, módulos, vidro solar e inversores. A concentração reduz custos unitários e amplia a oferta, mas também cria dependência de uma mesma origem industrial.

Para o Brasil, a dependência aparece em diferentes recortes:

  • Em estudo publicado em março de 2025, o BNDES informou que quase a totalidade dos módulos fotovoltaicos era importada e que a participação dos módulos nacionais havia caído de 35% para 1% em 2024.
  • Em um levantamento histórico do Banco do Nordeste, baseado em dados de comércio exterior, a China respondeu por 98,6% do valor das importações brasileiras de módulos em 2020.
  • No mercado de inversores, nota técnica do MDIC publicada em 2026 descreve a oferta brasileira como fortemente dependente de importações e de fabricantes globais, sobretudo asiáticos.

Esses números medem coisas diferentes e não devem ser combinados como se fossem um único indicador atual. O percentual de 98,6% se refere à origem das importações de módulos em 2020; o 1% se refere à participação dos módulos nacionais em 2024; e os 85% da IEA medem a capacidade produtiva mundial da cadeia em 2024. Para obter a participação chinesa atual nas importações brasileiras, é necessário consultar o Comex Stat para o produto, período e critério desejados.

O que os dados mostram sobre o futuro do setor?

Os números de 2025 confirmam que a energia solar deixou de ocupar uma posição complementar no sistema brasileiro. Com 24,8% da capacidade elétrica instalada, 64.793 MW de potência fotovoltaica e crescimento anual de 33,7%, a fonte alcançou escala nacional.

Ao mesmo tempo, a participação de 1% dos módulos nacionais registrada pelo BNDES em 2024 evidencia uma lacuna entre a velocidade de instalação e a capacidade produtiva doméstica. Enquanto essa diferença permanecer, o comércio exterior continuará sendo um elo relevante para a expansão do setor.

Para empresas que compram ou distribuem equipamentos solares, inteligência de mercado e planejamento de importação tornam-se fatores competitivos. Não se trata apenas de trazer um produto ao país, mas de conectar especificação técnica, fornecedor, conformidade, logística e custo total ao cronograma do projeto.

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Perguntas frequentes

Qual percentual dos módulos solares usados no Brasil é importado?

O BNDES informou que a participação dos módulos nacionais caiu para 1% em 2024 e que quase a totalidade dos módulos era importada. Esse dado não identifica sozinho o país de origem de todos os importados.

Quanto da cadeia solar mundial está na China?

Segundo a IEA, a China concentrava cerca de 85% da capacidade produtiva global da cadeia solar em 2024 e 95% da capacidade de wafers fotovoltaicos.

Qual é a posição do Brasil no ranking mundial de energia solar?

O Brasil ocupava a sexta posição mundial em capacidade solar fotovoltaica acumulada ao fim de 2025, com 64,7 GW na base da IRENA.

A energia solar é a segunda maior fonte do Brasil?

Em capacidade instalada, sim. Segundo a EPE, a solar representava 24,8% da capacidade elétrica brasileira em 2025, atrás da fonte hidráulica, com 40%. Essa comparação não deve ser confundida com participação na geração efetiva de eletricidade.

Quais equipamentos fazem parte de um sistema fotovoltaico?

Além dos módulos, um sistema pode incluir inversores, estruturas ou trackers, cabos, conectores, transformadores, monitoramento e baterias. O conjunto varia conforme o porte e a aplicação do projeto.

 

Fontes: 

  1. EPE — Balanço Energético Nacional 2026: análise energética e dados agregados — capacidade e geração solar, MMGD e matriz elétrica brasileira em 2025.
  2. EPE — Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026: destaques — capacidade elétrica total e participação das fontes em 2025.
  3. IRENA — Renewable Capacity Statistics 2026 — capacidade fotovoltaica mundial e por país ao fim de 2025.
  4. IEA — Energy Technology Perspectives 2026: supply-chain risks and industrial competitiveness — concentração da capacidade produtiva solar na China em 2024.
  5. IEA — Solar PV Global Supply Chains — estrutura das etapas industriais da cadeia fotovoltaica.
  6. IEA PVPS — Snapshot of Global PV Markets 2026 — novas instalações globais em 2025.
  7. BNDES — Geração de energia solar fotovoltaica no Brasil e o desenvolvimento da cadeia local de fornecedores — participação dos módulos nacionais e dependência de importações em 2024.
  8. Banco do Nordeste — Energia Solar, Caderno Setorial nº 174 — origem das importações brasileiras de módulos em 2020.
  9. MDIC — Nota Técnica SEI nº 959/2026 — mercado e produção nacional de inversores fotovoltaicos.
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