Homem apontado para dados de reforma tributária

Com a Reforma Tributária, vai ficar mais barato ou mais caro importar no Brasil?

O Brasil tem um dos sistemas tributários mais complexos do mundo, e isso tem história. Desde a Constituição de 1988, economistas e empresários já alertavam: cinco impostos diferentes sobre o mesmo produto, regras distintas em cada estado, burocracia sem fim para cumprir obrigações fiscais.

Ainda em 1995, o país tentou uma mudança. Posteriormente, em 2003, houve uma nova tentativa, seguida por mais um esforço em 2008. Por 30 anos, a reforma tributária foi o projeto que o país sempre adiou.

Contudo, o cenário mudou em 2019, quando uma nova proposta entrou na Câmara. A aprovação ocorreu em julho de 2023 e, finalmente, em dezembro do mesmo ano, a medida virou lei: a Emenda Constitucional nº 132. Pela primeira vez desde a Constituição de 1988, o Brasil unificou cinco tributos em um sistema único. Atualmente, a transição vai até 2033 e, para quem importa, as mudanças já estão acontecendo agora.

Mas o que a Reforma Tributária realmente muda para quem importa?

PIS, COFINS, ICMS e IPI dão lugar ao IBS e ao CBS, um modelo não cumulativo, onde o tributo pago na entrada da mercadoria gera crédito nas etapas seguintes da cadeia produtiva. Além disso, a apuração, que exigia controles paralelos e obrigações acessórias múltiplas, caminha para se tornar automatizada e integrada.

Para quem importa como insumo produtivo, isso pode representar maior previsibilidade e menos fricção administrativa. Portanto, trata-se de uma mudança estrutural relevante, e positiva, dentro do seu escopo. Por outro lado, a Reforma Tributária não é o único campo em movimento.

O outro lado da equação

Enquanto a tributação sobre consumo se reorganiza, o Imposto de Importação, a chamada “tarifa” no vocabulário internacional, está se movendo em sentido oposto.

Ao contrário dos demais tributos, o Imposto de Importação pode ser alterado por ato do Poder Executivo, a qualquer momento, sem passar por debate legislativo. De fato, seu papel não é apenas arrecadatório: é um instrumento de política comercial, usado para proteger setores, controlar fluxos e responder à conjuntura econômica.

Nesse sentido, o governo atual tem utilizado essa ferramenta de forma ativa. Em fevereiro de 2026, uma resolução ampliou alíquotas para uma lista extensa de produtos, muito além dos eletrônicos que ganharam atenção da imprensa. Simultaneamente, mecanismos de redução que existiam encerraram seus prazos, elevando o custo de importação em vários segmentos. O resultado prático é que, para uma parcela significativa do mercado, importar ficou mais caro, e não por causa da Reforma Tributária.

O cenário exige uma leitura mais ampla

Nesse ambiente, quem importa precisa considerar dois movimentos simultâneos e de sinais opostos: uma reforma que simplifica e potencialmente desonera pelo lado do consumo, e uma política tarifária que onera pelo lado do comércio exterior.

A China, principal fornecedora do Brasil em dezenas de segmentos, segue sendo um ator central nessa equação. O programa Made in China 2025 encerrou seu ciclo com resultados expressivos: liderança em energia solar, veículos elétricos, robótica e aço. Embora a competitividade industrial chinesa não tenha diminuído, a equação de custo para trazer esses produtos ao Brasil ficou mais complexa.

Dessa forma, a pergunta “vai ficar mais barato ou mais caro?” não tem uma resposta única. Existem duas forças em direções opostas, e o resultado depende do produto, do segmento e do momento. O que é certo é que o ambiente não está estático. E acompanhá-lo de perto deixou de ser opcional.

A BM3 Trading monitora de perto as mudanças tributárias e tarifárias que impactam as operações de comércio exterior. Siga o Canal Verde para continuar informado.

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